Em 2024, Yuval Noah Harari publicou mais um livro fascinante, Nexus. Este escritor israelita é amplamente conhecido por chamar a atenção para a possibilidade de a humanidade deixar em breve de ser a força mais poderosa do planeta. Como os únicos seres racionais na Terra, desenvolvemos a capacidade de tomar decisões sobre inúmeras questões, com todas as suas vantagens e desvantagens.
Será que a IA nos vai substituir nesse papel? Vamos beneficiar da sua capacidade de decidir, trabalhar, criar e até resumir? Quanto estamos dispostos a pagar por isso? As nossas vidas vão melhorar? Ou será que a IA se vai tornar numa ferramenta valiosa que nos liberta de tarefas tediosas, permitindo que usemos esse tempo em nosso proveito — como ler um livro ou aproveitar o sol no parque?
O custo escondido de cada prompt
Os números do custo da IA são conhecidos. Um pequeno texto de 100 palavras consome cerca de 0,5 litros de água, segundo a National Geographic Portugal (2025), e mesmo que sejamos educados ao pedir — usando palavras como "por favor" ou "obrigado" — o consumo de energia será naturalmente maior. Cada palavra de uma instrução à IA é dividida em grupos de números chamados "token IDs" e enviada para enormes centros de dados — alguns maiores do que campos de futebol — alimentados por centrais a carvão ou a gás natural. Por isso, se pensarmos em maior escala, conseguimos imaginar a quantidade enorme de recursos necessária para manter tudo isto a funcionar.
Devemos humanizar a IA, que não tem sentimentos? Isso é completamente desnecessário.
Desafia-te a fazer uma pesquisa rápida e talvez fiques surpreendido, ou até chocado. Mesmo uma simples pergunta consome uma quantidade relevante de um elemento essencial para todos os seres vivos na Terra. Enquanto a água continuar a correr na torneira, parece que isto não é motivo de preocupação para muita gente. No entanto, não precisamos de ser cientistas para saber que a água é um recurso natural finito. Sem ela, todos os seres estarão em perigo.
Ainda precisamos de pensar?
Já falámos do custo da água. Está feito. E quanto à capacidade de pensar? Ainda precisamos de pensar? Podemos simplesmente relaxar no sofá, com uma cerveja ou uma chávena de chá (a escolha é tua), e deixar que a IA faça as coisas por nós? Vamos precisar de pensar? Vamos querer pensar e discutir, partilhar as nossas opiniões com base nas nossas leituras, experiências e paixões? Ou já chegámos a um ponto em que tudo isso é tão antiquado que deixou de ser necessário?
Claro que, se pensarmos que a IA já está a fazer um trabalho extraordinário na medicina — ajudando os médicos no diagnóstico de doenças, em tratamentos e até em cirurgias, com uma percentagem de erro muito baixa. Não é fantástico? Sem dúvida!
Se me perguntarem se acredito que conseguimos viver sem IA, a minha resposta verdadeiramente honesta é: não. O mundo da tecnologia chegou a um ponto sem retorno — mas seremos suficientemente inteligentes, de forma natural, para equilibrar o uso desta tecnologia?
Um mundo dividido, ainda à procura de equilíbrio
Estamos todos (bem, os chamados cidadãos do mundo civilizado) ligados uns aos outros. Todos vemos as notícias, de uma forma ou de outra. Às vezes não queremos vê-las, mas isso é outra questão. As pessoas estão mais divididas do que nos últimos anos. Assumem posições extremas com base em informação que raramente verificam. Isto aplica-se, por exemplo, à política, à alta tecnologia e às questões ambientais. O mundo natural já sobreviveu e se adaptou ao nosso estilo de vida múltiplas vezes. O mundo natural tem a capacidade de encontrar equilíbrio e de se regenerar.
Conseguiremos também encontrar um equilíbrio no uso da IA, para nosso próprio bem? Não é preciso perguntar a nenhuma plataforma de inteligência artificial para responder a isso. Pergunta a ti próprio, procura a resposta na tua mente e na tua alma. Vais encontrá-la.
A inteligência artificial não nos isenta de pensar. Pelo contrário, obriga-nos a pensar melhor.
A tecnologia só cria valor quando resolve o problema certo.
A Binovar ajuda empresas a repensar processos, integrar sistemas e aplicar inteligência artificial de forma prática, segura e orientada a resultados.
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